sábado, 25 de junho de 2011

Um tempo e só.

Não que aqueles dias estavam sendo tristes. Anice começava a descobrir coisas, conhecer lugares, mas para isso ela sumiu um pouco, esqueceu do coração que ela leva ainda dormente por conta das desilusões, saiu de si e entrou em nós, se é que você me entende. Tudo mudou de forma inesperada e Anice, moça ingênua, não sabia como lidar com aquilo, vivendo, então, um dia após o outro, com a esperança de que aquela era a única forma de respeitar o tempo e o limite de tudo, inclusive o seu.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Já é insistência.

Deu-se conta do quão sumida estava. Deu-se conta da sua falta de sorrisos, da sua falta de estar presente. Deu-se conta da falta de si.
Por instantes, olhou-se no espelho e nada viu. Sem brilho, sem luz, com lacunas, com invisibilidade.
Procurou-se dentro de cada alma que com ela ainda permanecia. Procurou também dentro dos pedaços espedaçados que em si ainda havia. Nada!
O único segredo para mim é a falta de surpresa dela para com todos esses fatos. Não era assim que aquilo tudo costumava acontecer. Mesmo assim, ela continuou a se procurar, mas sabia que sem você, nada ela iria encontrar!

domingo, 29 de maio de 2011

Sonhar, amar.

Ela está sentada na areia.
Sonha. Fecha os olhos e sonha. Não sabe ao certo com o quê sonha, mas sonha tendo um sonho bom.
Ela espera a sua chegada.
A brisa, sem querer, a acorda do seu sonho.
Ela decide. Não quer mais sonhar, quer acordar, levantar, despertar.
Não mais amar, amar. Não sonhar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Um recado.

- Não procure em mim o que falta em você!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Apenas venha.


Isso é para quando você vier e se não vier, esperarei mais um pouco.
Será apenas mais um dia sem sorrisos, sem abraços largos e bem dados. Mais um dia sem o ar, sem o sol e sem ouvir o cantar dos passáros. Então venha. Não demore, aperte os sapatos e comande-os. Peça para eles andarem um pouco mais depressa. Não deixe eu tentar me recuperar sozinha. Você sabe bem que eu te necessito, sabe que não consigo ficar sem ouvir o bater de teu coração clamando pela minha boca.
Eu só peço que venha com o amor, mas o amor puro. Não aquele amor que tenho visto por aqui. Traga o amor verdadeiro em suas mãos. Doe ele para mim. Complete o meu ser, meu ver, meu amar, meu você. Não venha com apenas um sorriso e a vontade ardente de me ter. Venha carinhoso. Sim, como antes. Venha com o brilho nos olhos e com o coração pulando por saber que estará ao meu lado. Entre pelo portão que há muito tempo não se abre mais. Venha com as mãos suadas de ansiedade e com a pernas trêmulas por tanto amor. Venha, venha. Não demore sequer um segundo mais.
Aproveite e traga aquela felicidade que deixei deitada na cama junto com os nossos lençois. Pegue os meus sorrisos também. Não esqueça de nada. Por favor, traga-me de volta.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

No confessionário...



"Na verdade , eu vim com o objetivo de me sentir amado mais uma vez. Desculpe a minha vestimenta, o meu odor e meu barulho que, apesar de tá dentro de mim, é incontrolável. É que há três dias não como nada. Ãhn? Não, não. Obrigado. Até água fere o meu estômago. Então, eu vim  mesmo para ouvir a palavra acolhedora. Por que não vim antes? Desculpe-me . Essa semana eu tava cheio do bagulho, o senhor sabe, né? Preferi me esconder e cheirar aquelas pedras em tempo record. Eu consegui, acredita? Dormi durante dois dias seguidos  e quando acordei vi minha falecida maizinha, foi porque dois dias depois ia ser dia das mães. Isso mesmo. É, foi ontem. O senhor acha? É, pode ser  que eu ainda tava noiado. Uhum, sei. É verdade. Mas... É, eu sei. Tô ligado. Consigo não, senhor. Acho que dessa semana eu não passo. É como eu disse, vim só pra me sentir amado pela última vez, Lá fora ninguém sequer me olha, todos tem medo de mim e acho que com razão. Queria sair dessa, mas já chegou o meu fim.  O senhor me desculpe, viu? E que o Senhor me perdoe."
Sem ao menos ouvir a última palavra do padre, Alberto saiu da igreja com lágrimas nos olhos , sabendo que aquela  tinha sido a última visita ao lugar  que acalmava seu coração nos momentos de lucidez.  Apesar de ser dependente há 12 anos, ele tinha consciência dos males causados pelas drogas ( e quem não tem? ). Agora ele já sabia qual seria o seu próximo passo, sem volta: a morte.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Reviravolta.




E, surpreendentemente, sentiu uma pontada de esperança. Assustou-se, afinal, aquilo não acontecia há meses. Abraçou aquela calmaria que invadia seu coração, sem motivos, deixou as lágrimas rolarem sem dó. Uma serenidade que forçava seus lábios a se abrirem com facilidade. E aí, enfim, deixou as águas se misturarem com aquele sorriso largo.
No fim da emoção, deu-se conta de que era o fim. O fim da solidão, afinal valia a pena estar ela com ela, sem conflito, em paz, o fim da dor, pois essa depende da sua vontade. Apenas a saudade permaceria. Mas, dessa vez, iria ser uma saudade gostosa de ser sentida. Uma saudade que nos traria mais um sorriso a cada recordação.
Percebeu, então, o quanto era bom estar bem. O quanto é bom se sentir viva, em paz, no recomeço e , principalmente, com forças impulsionadoras!