
Perdoe-me, filha , por ter esperado 17 anos para escrever-lhe uma carta. Perdoe-me também por não ter salvado você daquele acidente terrível, perdoe-me por ter te deixado partir. Apenas agora criei coragem para falar sobre isso, filha. Aqui em casa, ainda sinto tua presença. Seu quarto continua do mesmo jeito que você deixou ao sair com seu namorado que também nos deixou.
Acho que não deu tempo de ensinar-te como a vida é de verdade. Não deu tempo de falar sobre os rapazes que se drogam, que bebem, que dirigem, que matam, assim como aquele, aquele que te ...
Perdoe a minha fraqueza, eu sei que você está bem, sei que está sorrindo aí do alto e sei que pedirá a Deus para mandar forças para eu suportar a dor maior da minha vida. Sei também que você está ocupando seu posto, cumprindo as suas tarefas, afinal, você é um anjo, minha lis.
Esta carta, na verdade, é apenas para agradecer os dezessete anos que você me fez sorrir. Agradecer pelos abraços e pelos carinhos que você sempre me deu. Agradecer pela filha maravilhosa que você é e sempre será. Agradecer pelo cheiro da flor de lis que ainda exalo aqui nas suas roupas, no seu quarto, na nossa casa, no meu coração.
Aproveito para te pedir uma coisa, minha querida. Não deixe o sentimento de vingança invadir meu coração, apesar de ele já está batendo na minha porta agora. Afaste-o de mim e permita que eu seja um anjo assim como você.
Amo-te muito, minha florzinha de lis.
Acidente real em João Pessoa-Pb no mês de Julho,
ocorrido na Av. Epitácio Pessoa, na madrugada de um sábado.
Um rapaz embriagado, avançou o sinal vermelho e bateu seu carro contra o das vítimas onde também estava o pai da "flor de lis", o único sobrevivente.
A carta também é real, porém, essa foi uma invenção minha.
A verdadeira carta foi publicada em uma revista do estado da Paraíba.