domingo, 6 de março de 2011

Inevitável.

Foi até a janela. Não encontrou nada que agradasse a sua vista.
July andava cabisbaixa. Sua mãe não tinha mais ideias para tentar animá-la. Fizera festa, comemorações sem razões, mas nada alegrava a pobre moça de 16 anos.
Mulata, cabelos lisos e curtos -July achava melhor por causa do calor-, olhos negros e, agora, profundos, com olheiras visíveis e marcantes.
A moça passava horas e horas com o olhar fixo em um só canto, que às vezes chegava a assustar a sua mãe, que enconstava em July e balançava a menina, pensando que talvez ela estivesse morta. (Tão ingênua a pobre mulher).
July via-se perdida, sem motivos para continuar vivendo. Pensava em acabar com todos aqueles dias que apareciam sem o sol, acabar com aquela chuva que não lavava a sua alma. July andava desesperada, com a cabeça latejando e sem remédios que a curasse.
Já tinha ido ao hospital, por insistência da mãe. O médico por sua vez, disse que a moça tinha saúde melhor do que a de muitas pessoas.
A mãe a cada dia preocupava-se mais.
A moça não comia, não saía, não levantava da cama.
Em uma certa noite, a mãe foi acordada com os gritos da sua filha.
"JOOOOORGE, NÃO VÁ." - Berrava July.
A mãe então, ficou ali estática, tentando lembrar quem era Jorge. E a moça continuava:
" Jorge, eu te amo tanto. Por que você me deixou? Volta, volta, Jorge. Não ..."
Os berros foram trocados por sussurros quase inaudíveis. A mãe caiu nos seus pensamentos, não mais ouviu a moça e pouco a pouco foi juntando as peças.
Jorge era um rapaz de 18 anos. Neto da vizinha. Tinha vindo passar férias na cidadezinha. Cursava Engenharia Civil na cidade grande. Há meses tinha ido embora. Então, ele era o motivo da depressão de sua pobre filha? O que ele fez para que July ficasse daquele jeito?


- A mãe de July nunca tinha sentido o amor aflorar e com isso não tinha sido amada também. O pai da moça tinha sumido no mundo. Foi o único homem daquela infeliz mulher. Foi só uma noite. Ele só queria um prazer. July veio junto com esse deleite, mas a sua mãe nem sabe por onde anda seu pai.
Por esse motivo, ela nunca descobriria o que tinha a sua filha.
Como pode uma pessoa viver sem o amor?
Como pode alguém nunca querer morrer por causa dele?
Certo de que esse nem sempre faz bem, como não fez a July, mas não senti-lo nunca é como se vivessemos sem o ar. É inevitável.

7 comentários:

Sr. Lunático disse...

É triste. Se bem que amar também machuca...

Miry Fernandes disse...

E como machuca, hein Sr. Lunático? (Eu continuo curiosa pra saber seu nome! Rs.)

Camila Alves disse...

No amor todo mundo precisa se jogar de um abismo... Andar em cima do muro.. O amor nunca dá certezas.. pelo contrário, é uma incerteza que precisa ser construída e recontruída a todo o tempo....
Apesar disso, eu ainda acredito que vale a pena acreditar no amor.. No fundo, no fundo, ele é o nosso maior combustivel.. O que seríamos sem o amor, afinal?
Lindo texto Miry!
Beijos!

Miry Fernandes disse...

Lindo foi o seu comentário, Camila Alves.
Eu concordo com você.
E agora, Renato Russo diria ...
" Sem amor eu nada seria..."

- Kiss

Folhetim Cultural disse...

Olá gostaria que visita se meu blog que é dedicado a cultura. Espero que goste nele tenho uma coluna poética aos sábados ás 09 da manhã espero poder contar com sua visita.

Sucesso em seu espaço.

Magno Oliveira
Twitter: @oliveirasmagno ou twitter/oliveirasmagno
Telefone: 55 11 61903992
E-mail oliveira_m_silva@hotmail.com

Minne disse...

Miry, o amor tem suas controversas, suas contradições, é tão intenso que se torna destrutivo, mas ainda assim, é inevitável não senti-lo. Mais um texto lindooo *-* Beijo :*

Folhetim Cultural disse...

Miry Fernandes

Olá Miry fico feliz por ter retornado meu pedido espero poder agradar você meu trabalho. Que é nosso!

Sempre que puder irei visitar o seu também.

Magno Oliveira

Twitter: @oliveirasmagno ou twitter/oliveirasmagno
Telefone: 55 11 61903992
E-mail oliveira_m_silva@hotmail.com

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